Ursa Minor/SU

Saudações, mutantes!

Pra iniciar oficialmente a coluna “Meus Amigos São Foda”, escreverei sobre o trabalho de uma amiga que fiz através da música durante os primeiros meses da pandemia. O nome dela é Ursa Minor, ela é uma canadense muito gente fina e é também metade do projeto “SU”.

O primeiro EP do duo, “The Web” veio à luz em 2017 e, de lá pra cá, já foram lançados mais dois EP’s e três singles. Foi através de um desses singles, a extra-sombria “Existence” que vim a conhecer o som do “SU” e, simultaneamente, Ursa Minor.

Na época estava focado no “Bas-Fond”, projeto em que eu convidava um vocalista para cada instrumental e, através de Ursa, convidei o “SU” para participar de uma música e o convite foi aceito de imediato. Esse som é um dos trabalhos que mais me orgulho de ter feito parte; ele se chama “Black Ice” e pode ser encontrado em todas as plataformas. Sarah (A outra metade do “SU”) e Ursa gravaram linhas vocais fantásticas e trouxeram uma beleza profunda para o instrumental que produzi.

Em 2020, durante os meses de produção dos sons do “Bas-Fond”, conheci uma menina francesa chamada Nova; uma garota prodígio, extremamente criativa e talentosa. Ela participou de um dos sons do projeto, chamado “Cold Summer” e logo demos início ao nosso próprio projeto chamado “Ocean Key”, que já conta com 3 discos e 2 singles na bagagem.

 Você deve estar achando estranho eu ter começado escrevendo sobre uma garota canadense e agora estar escrevendo sobre uma garota francesa, mas, a verdade é que estou falando sobre ela por que em 2022 tive o prazer de voltar a trabalhar com Ursa e Sarah, dessa vez numa collab maravilhosa com o “Ocean Key”, chamada “Natural State” (Disponível em todo lugar também).

Dia 4 de outubro, o “SU” lançou seu primeiro álbum, “He(art) is a Moment” e tudo isso que você leu até agora foi para ilustrar e abrir o caminho até ele.

Embora eu seja fã de carteirinha da dupla desde “Existence”, confesso que não estava preparado para o tamanho da evolução dos trabalhos anteriores para esse primeiro full.

O disco se inicia com “Hell’s Kitchen”, que se encaixaria perfeitamente na trilha sonora de um musical de horror. Esse som também me remeteu ao que “Alice Cooper” fazia na fase “Nightmare” e “…goes to Hell”.

 Seguimos para “Inferno”, faixa em que o duo abre o jogo e mostra para que veio de verdade. O som começa cru, como um loop à-la “Tricky”, com batidas tribais pesadas característica do SU e sintetizadores dark e cai num Industrial barulhento e obscuro com vocais impressionantes. Camadas e mais camadas compõe uma ambientação hipnotizante de pesadelo que, de maneira progressiva, se torna sufocante (e sexy). Uma da melhores do disco.

“The Void” vem na sequência na forma de um rock alternativo/arena com roupagem gótica e produção propositalmente poluída com colagens e samples. Um dos sons com maior apelo pop do disco. Tem refrão power e um groove dançante que cairiam perfeitamente como hit de haloween. De certa forma me remeteu aos momentos mais eletrônicos do “Korn”, da fase “Untouchables”.

“Virtue Signalling” é um hit underground para nenhum fã de “Nine Inch Nails” ou “Massive Attack” botar defeito. Rock eletrônico com groove, peso, melodia e duetos cinematográficos belíssimos.

E caímos em “Gallows”, um dos meus momentos favoritos (e também um dos mais sombrios). Vocais fantasmagóricos, saxofones, samples, uma letra sinistra e uma ponte belíssima compõem uma ambientação carregada. Quando a letra fala sobre sirenes e surgem samples de “sereias”, é de arrepiar. (Em inglês “siren” serve tanto pra sirene como pra sereia, se esse “trocadilho” foi proposital, foi genial)

“Sacrificial Ground” é um Trip-Hop Portisheadiano, aconchegante e pesado. Outra de minhas favoritas. Na metade o som vira e fica mais sinistro. São sete minutos de puro deleite musical e vocais macios.

Após o breve interlúdio instrumental “He(art) Interlude”, o Lado B do disco começa pra valer com “Novelty”, um um trip-hop pesado, com letra luxuriosa e um refrão belíssimo com forte apelo pop.

“Older” é outro som propício para trevosos de plantão. Um Trip-hop com elementos de Witch House e loops que remetem a trilhas sonoras de filmes de terror. Os vocais são bonitos e assombrosos na mesma medida.

“Eternal Youth” soa como a trilha sonora de um filme sombrio de “Tim Burton”. A letra, embora bem macabra, pode ser interpretada como uma crítica à desigualdade social.

“Suspended Time”, ao lado de “The Void”, é um dos momentos mais “radio-friendly” do álbum. Além disso, talvez seja a música mais bonita; um trip-hop cremoso e chapado que se tornou hit imediato no “Dá um Tempo”. (Toda madrugada de sexta pra sábado, uma da manhã, na “Mutante Rádio”)

“The Good, the Bad and the Lonely” fecha o disco com uma batida downtempo 4×4 e, apesar de ser bem moderna, flerta com o post-punk e fecha o disco com chave de ouro.

“Hell’s Kitchen – Reprise” é um “outro” curtinho que vem para comprovar que mesmo que todas as músicas conversem entre si e façam parte do mesmo universo, são bem distintas e nunca cansam o ouvinte. A produção cristalina de “He(art) is a Moment” ficou por conta do próprio duo. Deem atenção a esse álbum e a esse projeto, pois “SU” é música DIY, feita de coração, com muita criatividade e qualidade. Pra mim, um dos discos do ano.

É um prazer tê-la entre meus amigos, Ursa!

Obrigado a você e a Sarah por esse trabalho impressionante.

Vida longa ao “SU”.

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