Sem anistia!

Passou e passou muito da hora de acertarmos as contas com o fantasma de nosso passado, que volta e meia sempre nos atormenta. Mas creio que ainda há tempo e apesar de toda barbárie que presenciamos no último domingo (8), talvez fosse essa a gota que faltava para transbordar o copo.


Nosso país viveu uma ditadura de 21 anos, entre 1964 e 1985. Ao seu final, ninguém foi preso, ninguém pagou pelas torturas ou pelos assassinatos cometidos contra centenas e centenas de cidadãos. Após a redemocratização e a promulgação da Constituição de 1988, que vigora até os dias atuais, pensamos que seria possível ter uma conciliação com golpistas e torturadores.


Como diz o dramaturgo alemão do século 20, Bertolt Brecht, “a cadela do fascismo está sempre no cio”. Basta lembrarmos que depois de Alemanha e Itália no século passado, o Brasil era o país com maior número de nazifascistas. Tanto que tínhamos o Integralismo por aqui, tendo Plínio Salgado como um de seus mentores intelectuais.


A barbárie fascista que vimos no domingo não deveria nos deixar espantados, afinal de contas, os extremistas de direita sempre estiveram em nosso meio. Cerca de 10% a 15% de nossa sociedade, pode ser considerada fascista. Basta nos atentarmos as manifestações e a quantidade de pessoas que foi detida nos últimos meses com material sobre os governos sanguinários e também por apologia ao nazismo.


Nunca acertamos as contas com nosso passado e isso nos cobra um preço muito caro nos últimos anos. Entre 2019 e 2022 tivemos um presidente ignóbil e que vez ou outra sempre deixava claro qual era sua linha política. O lema “Deus, Pátria e Família” vem do integralismo, que é o fascismo à brasileira. Esse mesmo ser, em 2016, durante votação sobre abertura de impeachment da então presidente Dilma, fez apologia à tortura ao homenagear um dos seres mais asquerosos de nossa história, o torturador Brilhante Ustra.

Óbvio que nem todos que votaram no ser desprezível em 2018 e em 2022 é fascista. Mas uma parcela é e o terrorismo e vandalismo que praticaram em Brasília demonstraram o quanto podem ser danosos para uma convivência pacífica e democrática.

Em 1988, os Garotos Podres gravaram a música “Anistia”, no segundo álbum, denominado “Pior que antes”. Em parte da letra, Mao canta: “Não queremos anistia aos torturadores, não queremos que os assassinos fiquem impunes. Amordaçaram e torturaram toda uma nação, nos deixaram órfãos
de uma mãe pátria”.

Se tivéssemos resolvido a questão da ditadura àquela época, talvez hoje não teríamos chegado ao atual estágio. Mas como pregamos a anistia geral, deu no que deu.

Espero que dessa vez, com nova oportunidade, não desperdicemos essa chance. Todos que estiveram em Brasília precisam pegar pelos crimes cometidos, assim como seus financiadores, que precisam ser descobertos. Anistia para fascista nunca mais!

Que sigamos o exemplo da Argentina, que ao final do período de sua ditadura, acertou a conta com o passado. Os principais líderes e criminosos daquela época foram presos e condenados por seus crimes. Se você ainda não conhece essa história de nosso vizinho, assista ao ótimo filme “Argentina 1985”.

Agora é com a gente!

Ivan Gomes, 44, é produtor e apresentador do programa 3 Notas e torcedor do Santos Futebol Clube.

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