Rap, literatura & futebol com Gagui IDV

Salve, salve rapa! Supimpa? Ou supimpa também já é demais?

Quero aproveitar esse espaço aqui no blog Mutante e começar uma série de conversas com pessoas que estão fomentando a cultura, muitas vezes nos bastidores e sempre pelo underground. Nessa estreia, o Papo Mutante é com um dos meus chegados, a pessoa que mais conhece minha escrita, afinal é meu revisor na Dando a Letra e no site Do Meio da Rua, mais que isso é meu irmão de Pelotas: Gagui IDV.

Papo Mutante –  Gagui meu mano, você atuou no rap, como MC, é colunista de diversos veículos, também é um entrevistador e autor com dois livros publicados. Mas como que você se define?

Gagui – Salve Jeff, meu parceiro! Cara, já fui chamado de MC, de Rapper, de colunista, de escritor e até de jornalista, mesmo sem formação na área. Dependendo do momento da minha vida eu recebia uma classificação, mas sinceramente eu não saberia me definir. Talvez eu seja um cara que tenha amor pelo Hip Hop e isso acaba me fazendo atuar em todas essas frentes. Lembrando que além disso, já produzi fanzine, podcast e fiz programas em rádios. Então, a definição, se tratando de tudo que já fiz, realmente não caberia em uma só.

Papo Mutante – E o Gagui IDV, o rapper? Vamos vê-lo em cena novamente?

Gagui – O Rapper, definitivamente, não! Até tenho bastante letras que acabei não musicando e não gravando, mas é algo que realmente não me imagino mais. Até quando eu ainda estava cantando, eu estava preferindo mais o estúdio do que o palco. A cena do Rap mudou bastante e senti que era hora de dar um tempo de cantar.

3. Falando em rap, você vem fazendo um trabalho da hora no perfil do Instagram Resenha do Rap, onde está resgatando a memória do rap gaúcho. Trabalho importante para conhecermos rap além das fronteiras do estado de São Paulo. Pra quem nos lê, que artistas você destaca aqui para irmos atrás e dar o play?

Gagui – Mano, a cena do Rap Gaúcho é muito rica, desde os anos 90 e se falarmos de cena do Hip Hop em geral, ainda podemos dizer que essa riqueza se estenderia dos anos 80 para cá. Mas especificamente falando do Rap, eu devo muito à geração contemporânea, que fez parte da minha vida. Mas são muitos grupos que não existem mais ou que às vezes se reúnem para tocar em algum festival. Eu citaria o Polêmica, Da Guedes, Revolução RS, Yrmandade Catraia, Nego Prego, Guido CNR. Atualmente quem tem levado o nome do RS pro resto do Brasil é meu mano Zudizilla, meu conterrâneo aqui de Pelotas, que tem sido elogiado em todos os lugares do Brasil e até fora dele. Fez uma excursão pela Europa com a sua esposa, a Luedji Luna, que tem muito respeito na música brasileira hoje. Mas o RS tem um número muito grande de artistas que deveriam ter uma valorização maior a nível nacional.

Papo Mutante – Cara, tanto para escrever rap ou textos nas colunas dos portais, e outras tantas infinidades de exemplos, a leitura é algo crucial né? Você é um cara que lê bastante, queria saber o que você está lendo no momento e qual a literatura que não te desce de jeito nenhum e porque são os livros de coach?

Gagui – Será que não são os livros de Coach? Tu não sabe se ando lendo Augusto Cury! Ahaha… Cara, a leitura sempre fez parte da minha vida, em alguns momentos com menor frequência, mas sempre gostei muito de ler. Atualmente ando lendo dois livros, um é o Pablo Escobar – Ascensão e Queda do Grande Traficante de Drogas, do Alonso Salazar. E o outro é um livro sobre a seleção brasileira da Copa de 50, do Geneton Moraes Neto, chamado Dossiê 50, onde ele entrevistou os jogadores que jogaram aquela Copa e mostra como eles lidaram com aquela que até então foi considerada a maior tragédia do futebol brasileiro. Até aparecer a Alemanha no nosso caminho em 2014.

Papo MutanteMano, falando em literatura, trabalhamos juntos na Dando a Letra e viemos colocando alguns títulos aí pra rapaziada. Pensando nesse corre e principalmente dos dois livros que você publicou, o Resenha do Rap (2108) e Resenha do Rap II (2022), como que você vê a cena da literatura ligada ao Hip Hop e a preservação da história através de registros?

Gagui – Eu acho que ainda existem poucos registros que tratem do Hip Hop e também acho que os próprios adeptos da Cultura Hip Hop se interessam pouco pelo tema. Temos a possibilidade ainda de ouvir e dar voz à muitas pessoas que ajudaram a construir essa história, porque elas ainda estão entre nós, mas fizemos pouco uso dessa possibilidade. Acho que deveríamos valorizar muito mais essas pessoas e parte dessa valorização passa por termos livros e documentários retratando suas jornadas.

Papo Mutante – Você é o idealizador do site Do Meio Da Rua, um portal de histórias e memórias do futebol mundial. O esporte é algo que lhe é bem presente né? E vemos também que o futebol tem cada vez mais flertado com o rap, como você vê essa dobradinha? E, depois de tudo, dá pra voltar a usar a peita amarela?

Gagui – O futebol entrou na minha vida quando eu era muito pequeno, antes do Rap. Então realmente eu sou apaixonado por futebol e hoje tenho a felicidade de poder trabalhar dentro do meu clube do coração, o Brasil de Pelotas. Essa ligação do Rap com o futebol é massa, porque acabam sendo dois caminhos bem próximos para quem busca uma saída. Tanto a música quanto o esporte são alternativas que podem encaminhar as crianças e jovens a trilharem caminhos que possam desviar os jovens da criminalidade. Tenho visto muito essa ligação com o Funk também.

E sobre voltar a usar a amarelinha, tem uma geração jovem de jogadores que deram uma nova cara pra seleção e o Tite tem números ótimos com o Brasil e merece ganhar uma Copa por tudo que fez, mas quando lembro que a seleção tem o Neymar, aí complica. Um cara que defendeu o Bolsonaro da maneira que defendeu, participando de live de apoio, não pode nos representar. Então se não ganhar a Copa, não fico triste não. Acho que esse título pode vir na próxima geração, quando ele já não estiver mais jogando.

Papo Mutante – Para finalizar, que time te encheu mais os olhos? O Brasil de Pelotas de Bira e Zezinho de 1985; o Internacional de Abel Braga e Adriano Gabiru, de 2006; ou o Grêmio de Dino Sani, Renato Portaluppi e Alfinete, de 1991?

Gagui – Na verdade o Brasil de 85 foi a melhor campanha da história do Xavante até hoje na história do clube, ficando em 3° na Série A daquele ano, eliminando o Flamengo de Zico, Fillol e Bebeto. Mas eu tinha 3 anos e não vi esse time jogar. Hoje eu trabalho com o Bira, o cara que vestiu a 9 desse time e foi o artilheiro em 85.

O Inter de 2006 me fez chorar, porque foi muito improvável aquele título em cima do Barcelona do Ronaldinho Gaúcho e com gol do Gabiru ainda, um cara que nunca jogou nada, mas que foi predestinado.

E o Grêmio de 1991 foi o time do primeiro rebaixamento deles, então me deixou feliz.

Papo Mutante – Gagui, satisfação trocar essa ideia contigo. Diga aí, para quem nos acompanha e quiser trocar uma ideia contigo, quais são suas redes?

Gagui – Eu que agradeço o convite de somar com vocês. No Facebook é Gagui e no Instagram é @gagui_idv e @resenha_do_rap

Valeeeeeu!!!

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