Carta aberta aos isentões nocivos do Hip Hop: DISServiço sua opinião!

“Eu sou o povo então posso ser o que quero!
Eu sou o baixo salário, o incendiário,
ou a foice e o martelo”

É o Terror – GOG

O Brasil vive um de seus piores momentos, o pior pós redemocratização. Os últimos quatro anos foram terríveis e não preciso contextualizar, basta ser brasileiro para saber do que estou falando. No último domingo dia 02.10 o país teve a chance de rabiscar a primeira palavra de uma canção de mudança, no entanto, diferente do graffiti que fica, o rabisco foi à grafite e muitos dos nossos apagaram a luta com a borracha da isenção.

O rap rebelde contra tudo e contra todos, combativo e certo pelo certo não é esse que se esconde e que por preguiça de pensar diz que “todos são iguais”, “farinha do mesmo saco”. Essa falta de vontade de ponderar reflete no caráter de alguns que seguram a caneta, o mic e se dizem Hip Hop.

De um lado temos um canalha genocida favorável à tortura, estupro e que zomba dos enfermos e famintos. Do outro temos um homem cheio de defeitos, porém um ser humano e não um monstro fascista como o Bozo. Quer ainda comparar? Tá mais na cara do que tatuagem na testa a diferença e essa arrogância que gera essa falsa similaridade é nociva demais para os nossos.

Por mim não existia fascista, partido político ou religião. Por mim não existia fronteiras e nem bandeiras. Também acho que ir à urna não é a solução de todos nossos problemas. Uma guerrilha seria mais eficaz, o poder na mão do povo e para o povo. Mas enquanto não nos organizamos, a extrema-direita se organiza e tomba os nossos: 80 tiros em um músico e sua família, Agatha, João Vitor, Genival dos Santos, Mestre Moa, Benedito Cardoso dos Santos, Marcelo Aloísio de Arruada, Marielle…

Se tivermos uma política minimamente decente e que não dê voz e vez à esses fascistas já estaremos melhor que hoje e ainda anos luz do ideal – eu sei -, e um novo governo de Lula pode ter certeza que dará um banho de água fria nessa onda conservadora e autoritária. Acompanhou o raciocínio? Ou a preguiça de pensar ainda fará equivalência entre as duas candidaturas?

“Sou rapper, não cientista político” – já estamos cansados do papo de que “rap e política não se mistura”, à quem pensa isso, volte ao início e reveja sua vida. Deixe a preguiça de lado e estude a história do Hip Hop. Sem mais. E caso você, Isentão, não saiba interpretar o que vê e lê, sugiro que ao menos ouça quem veio antes, quem se posiciona, quem dá a cara a tapa há décadas. Não é por acaso que o Hip Hop tem esses pensadores, artistas que além de colocarem em suas letras a chama da indignação, ainda externam em suas redes seu posicionamento para que aqueles, como você, que ainda não entenderam, que compreendam de forma lúdica.

Deixe a arrogância de lado, tenha humildade e ao menos ouça seus pares. Se isentar não é ser revolucionário e sim compactuar com o discurso reacionário.

Você ainda pode dizer que não precisa de políticos, pois você mesmo faz ações sociais em sua quebrada, mas se liga, o Brasil tem 220 milhões de cidadãos, são mais pessoas passando fome do que os 200, 300, 500 ou 5000 aí da sua área. O país precisa de política de assistência e geração de renda. A não ser que você consiga empregar, com um salário mínimo (ao menos) os quase 10 milhões de brasileiros que estão desempregados, sua fala lamentável e posição de isenção não contribuí em nada, pelo contrário, atrapalha e corrobora para o projeto de fascismo, já que aliena pessoas e desaquece o debate. Em resumo: um DISServiço.

Caro Isentão, saia da sua bolha, mas olhe o tamanho de sua rede e perceba que o que você fala tem consequências. Seja responsável!
São quase quarenta anos sem entender o que é luta de classe, então é necessário ser redundante e frisar – novamente – que não há comparação (porra nenhuma) entre Lula e Bolsonaro, esse último é um escroto autoritário e fascista e o fim de fascista é de cabeça pra baixo (e se não sabe do que estou falado, já que história não é seu forte, vai dar um Google e pesquisar sobre o posto de gasolina da praça de Piazzale Loreto). Ficou bem desenhado?

Desce do muro, senão cê cai junto.

Há braços!
Jeff Ferreira – Submundo do Som

Compartilhe

Notícias

Protestos 1, futebol 0

No segundo dia de jogos da Copa do Mundo, realizada no Catar, manifestações políticas estiveram presentes. Antes e até mesmo durante a partida entre Irã